Um guia com os primeiros passos
Primeiro de tudo: não foi sua culpa.
Depois de uma perda gestacional, é comum procurar uma explicação e pensar se algo que você fez poderia ter causado isso. Na grande maioria das vezes, a perda não acontece por algo que a mulher fez ou deixou de fazer. Trabalhar, caminhar, fazer exercícios habituais, ter relações sexuais, viajar ou passar por situações de estresse não costumam causar um aborto espontâneo.
A perda pode acontecer de diferentes formas. Em alguns casos, ocorre sangramento e o organismo elimina espontaneamente o conteúdo da gestação. Em outros, a gestação deixa de evoluir, mas permanece no útero, caracterizando o aborto retido.
As causas também são variadas. Alterações cromossômicas no embrião são uma das causas mais frequentes nas perdas iniciais, mas também podem existir alterações uterinas, condições maternas, alterações hormonais, metabólicas e outros fatores.
E fique tranquila, uma perda isolada também não significa que acontecerá outra!
Depois que existe suspeita ou confirmação de uma perda gestacional, o primeiro passo é procurar atendimento médico para confirmar o diagnóstico e avaliar como você está. A confirmação costuma ser feita por ultrassonografia e, em algumas situações, também podem ser necessários exames de sangue.
Após a confirmação, o médico irá avaliar como está o útero, se há conteúdo gestacional e qual deve ser a próxima conduta. Se você estiver estável e sem sinais de alerta, o acompanhamento pode ser feito pelo médico que já acompanha sua gestação, que poderá orientar e fazer os encaminhamentos necessários.
Se houver sangramento muito intenso, dor forte, tontura, desmaio, febre ou sensação de estar muito mal, procure atendimento de urgência.
Nem todo sangramento ou cólica significa uma emergência, mas alguns sinais precisam de avaliação médica imediata.
Procure uma emergência se tiver:
A conduta depende do tipo de perda, do tempo de gestação, dos sintomas e da avaliação médica.
No aborto espontâneo, o organismo pode eliminar naturalmente o conteúdo da gestação. Quando isso não acontece completamente, pode ser necessário algum tratamento.
No aborto retido, a gestação deixou de evoluir, mas permanece no útero. Nessa situação, as principais opções são aguardar a eliminação espontânea, utilizar medicamentos para induzir a expulsão ou realizar um procedimento, como a AMIU (aspiração manual intrauterina) ou, em situações específicas, a curetagem.
Nem sempre. Se você estiver estável e sem sinais de alerta, o médico que acompanha seu pré-natal pode avaliar a situação e encaminhar você para o procedimento ou serviço adequado. Se houver sangramento intenso, dor forte, febre, desmaio ou outros sinais de alerta, procure uma emergência.
Em alguns casos, o material eliminado ou retirado do útero pode ser encaminhado para análise. Isso pode ser especialmente relevante para quem já teve outras perdas, pois determinados exames podem ajudar na investigação.
Se essa possibilidade for importante para você, converse com o médico antes do procedimento para saber se o material poderá ser preservado e quais análises podem ser realizadas.
Depois de uma perda gestacional, é esperado ter algum sangramento e cólicas, que vão diminuindo com o tempo. Os hormônios da gestação também caem gradualmente, fazendo com que os sintomas da gravidez desapareçam.
A menstruação costuma voltar algumas semanas depois, mas o primeiro ciclo pode ser diferente do habitual. A ovulação pode acontecer antes mesmo da primeira menstruação.
O tempo de recuperação varia de pessoa para pessoa. Seu médico poderá orientar quando retomar suas atividades e se é necessário algum acompanhamento após a perda.
A perda de uma gestação também é um luto. Não existe um jeito certo ou um prazo para vivê-lo. Tristeza, culpa, raiva, ansiedade, medo de uma nova gravidez e até dificuldade para lidar com a felicidade de outras pessoas podem aparecer.
A mulher e o parceiro podem viver esse momento de formas diferentes. Enquanto um pode querer falar sobre a perda, o outro pode precisar de mais silêncio ou tempo. Isso não significa que um esteja sofrendo mais ou menos. Cada pessoa encontra sua própria maneira de lidar com o luto.
Acolher um ao outro, sem cobranças e sem comparar sentimentos, pode ajudar. Também é importante lembrar que nenhum dos dois precisa passar por isso sozinho.
Conversem com pessoas em quem confiam e, se sentirem que está difícil demais, procurem apoio psicológico. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma forma de cuidar de si e do relacionamento em um momento que pode ser muito doloroso.
O momento de começar uma investigação também depende do preparo emocional de cada mulher. Depois de uma perda, algumas precisam de tempo para se recuperar antes de pensar em exames e consultas.
Do ponto de vista médico, uma perda isolada não significa necessariamente que exista algum problema. Quando as perdas se repetem, pode ser indicada uma investigação para buscar possíveis fatores relacionados. As recomendações variam: algumas diretrizes consideram a investigação a partir de duas perdas, enquanto outras utilizam três.
Em situações como histórico familiar relevante, idade materna mais avançada, condição genética conhecida ou doença preexistente, pode fazer sentido conversar com o médico sobre uma avaliação antes disso.
Não se sinta pressionada a fazer uma série de exames sem indicação. Confie na avaliação do seu médico, mas, se ainda tiver dúvidas ou não se sentir segura com a conduta proposta, buscar uma segunda opinião com um profissional experiente em perdas gestacionais recorrentes pode ajudar a entender quais caminhos realmente fazem sentido para a sua história.
Não existe um prazo emocional certo para voltar a tentar. Algumas mulheres desejam engravidar novamente logo, enquanto outras precisam de mais tempo para viver o luto e se recuperar.
Do ponto de vista físico, o momento depende de como a perda aconteceu, do tratamento realizado e da sua recuperação. Converse com seu médico sobre o momento adequado para o seu caso.
Antes de tentar novamente, pode ser uma boa oportunidade para revisar medicamentos, suplementação, vacinas, doenças preexistentes e a necessidade de algum acompanhamento específico.
Seu corpo pode estar pronto antes do seu coração. E tudo bem esperar.
Se você decidir buscar uma avaliação médica, organize tudo o que já aconteceu. Ultrassons, exames, laudos, resultados de procedimentos e informações sobre cada gestação podem ajudar o profissional a entender sua história.
Anote também as datas das perdas, com quantas semanas aconteceram, como foram conduzidas e quais tratamentos ou medicamentos foram utilizados.
Leve suas dúvidas e perguntas para a consulta. Ter essas informações organizadas ajuda a evitar que detalhes importantes sejam esquecidos e permite que o médico avalie quais próximos passos realmente fazem sentido para você.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com seu médico.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com seu médico.
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