Acabei de perder um bebê
Os primeiros dias, o corpo e o luto.
O que é comum sentir agora
Primeiramente, sinto muito pela sua perda. Depois de perder um bebê, é comum ficar sem saber o que fazer, o que sentir ou até por onde começar.
Pode existir tristeza, raiva, culpa, vazio, alívio, confusão. Às vezes, tudo isso se mistura, e não há uma maneira certa de passar por esse momento.
Não é preciso entender tudo agora. Algumas respostas podem esperar. Mas, se você está procurando um ponto de partida, reunimos abaixo alguns caminhos que podem ajudar nos primeiros dias.
O ciclo da perda
Os primeiros exames
Ultrassom e exames de sangue para acompanhar o começo da gestação.
Termos que você vai ouvirAlgo não vai bem
Um sangramento, uma cólica ou um exame que não vem como o esperado.
Conheça os sinais de alertaA espera
Dias de medo e aflição entre um exame e outro, à espera de respostas.
Saiba o que fazer agoraA confirmação
O diagnóstico que ninguém quer ouvir. Primeiro de tudo: não foi sua culpa.
Entenda o que aconteceuO luto
Tristeza, culpa, raiva, vazio. A perda é um luto, e não existe prazo para senti-lo.
Cuide também do emocionalA decisão
Aguardar a eliminação espontânea, usar medicamentos ou fazer um procedimento, como a AMIU.
Conheça as opçõesO corpo se recupera
O sangramento diminui, os hormônios caem e a menstruação volta, no tempo de cada uma.
O seu corpo depois da perdaEntender por quê
A vontade de encontrar uma explicação e, às vezes, a hora de investigar.
Quero entender por que aconteceuE, para muitas, o ciclo recomeça com uma nova gravidez, vivida com outro olhar.
Grávida de novo e cheia de dúvidas
E, para muitas, o ciclo recomeça com uma nova gravidez, vivida com outro olhar. Grávida de novo e cheia de dúvidas
Próximos passos
Entenda o que está acontecendo
Um guia com os primeiros passos: o que aconteceu, o que fazer agora, sinais de alerta e as opções de procedimento.
Abrir o guiaSaiba quando procurar uma emergência
Sangramento muito intenso, dor forte, febre, tontura ou desmaio precisam de avaliação imediata.
Ver os sinais de alertaCuide também do emocional
A perda de uma gestação é um luto. Conversar com quem você confia e buscar apoio psicológico é uma forma de cuidado.
Conheça os seus direitos
Afastamento, atestado e licença depois de uma perda gestacional.
Ler sobre direitos
Perguntas para levar à consulta
- Como foi confirmada a perda e o que mostram os meus exames?
- Quais são as opções para o meu caso: aguardar, medicamento ou procedimento?
- Quais sinais devem me fazer voltar ou procurar uma emergência?
- É possível analisar o material da gestação? Vale a pena no meu caso?
- Quando posso voltar às minhas atividades?
Termos que você vai ouvir
ABORTOAMIUCURETAGEMBETA-HCGGESTAÇÃO QUÍMICA
Abrir o glossárioPara ler no Fertya
Revisão com mais de 2,1 milhões de gestações não detecta aumento claro de riscos com GLP-1 perto da concepção
Uma revisão sistemática e meta-análise de 10 estudos, com 2.118.215 gestações, não encontrou aumento claramente detectável de alguns desfechos adversos após exposição a agonistas de GLP-1 perto da concepção. Os pesquisadores ressaltam que os dados observacionais não provam segurança durante a gravidez.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista Med reuniu 10 estudos observacionais sobre a exposição a agonistas do receptor de GLP-1 — medicamentos usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, como semaglutida e tirzepatida — no período próximo à concepção. A análise incluiu 2.118.215 gestações, das quais 8.325 tiveram exposição ao medicamento antes da concepção ou no início da gravidez, antes de ela ser reconhecida. Segundo os pesquisadores da City St George’s, não houve aumento claramente detectável de perda gestacional, natimorto, anomalias congênitas, parto prematuro, diabetes gestacional, distúrbios hipertensivos da gravidez ou alterações importantes no peso ao nascer, em comparação com gestações sem exposição.
Os autores, porém, afirmam que os resultados não comprovam que esses medicamentos sejam seguros durante a gravidez, porque as evidências vêm de estudos observacionais, que identificam associações, mas não estabelecem causa e efeito. A orientação clínica atual de interromper agonistas de GLP-1 antes de uma gravidez planejada deve continuar, segundo os pesquisadores, enquanto são necessários mais estudos.
Por que importa · interpretação editorial
A análise reúne um grande número de gestações, mas se baseia em estudos observacionais e não permite concluir que os agonistas de GLP-1 sejam seguros durante a gravidez. Os pesquisadores afirmam que a orientação clínica de interromper esses medicamentos antes de uma gravidez planejada deve continuar enquanto novas evidências são produzidas.
Fontes: Medical Xpress
Estudo em laboratório mostra como a placenta reprograma células imunes no início da gestação
Em experimentos de laboratório, pesquisadores da MedUni Vienna observaram que neutrófilos maternos podem apoiar a formação inicial da placenta, ajudando células placentárias a migrar para o revestimento do útero. Ainda não se sabe se essa função muda em complicações da gestação.
Um estudo publicado na revista Science Immunology mostrou, em experimentos de laboratório, como o ambiente da placenta pode reprogramar neutrófilos — células da primeira linha de defesa do sistema imune. No início da gestação, neutrófilos presentes na interface entre a placenta e o tecido materno aumentaram a capacidade de movimento das células placentárias, favorecendo sua migração para o revestimento do útero. Esse processo ajuda a fixar a placenta e a remodelar vasos sanguíneos maternos, segundo os pesquisadores da MedUni Vienna.
Os neutrófilos do sangue das mesmas pacientes inicialmente danificaram células placentárias nos testes, mas deixaram de fazê-lo após receber sinais do ambiente placentário. A equipe identificou a participação das moléculas MMP-9 e TGF-β nesse processo de reprogramação. Os pesquisadores afirmam que ainda são necessários estudos para saber se essa função dos neutrófilos se altera em complicações da gestação; os resultados não avaliam um tratamento nem demonstram efeitos clínicos em pessoas.
Por que importa · interpretação editorial
O estudo ajuda a detalhar como células imunes participam da implantação e da adaptação dos vasos maternos no início da gestação. Como os resultados vêm de experimentos de laboratório, ainda não indicam efeitos clínicos nem esclarecem se esse mecanismo se altera em complicações da gestação.
Fontes: Medical Xpress
Ultrassom particular no início da gravidez: o que ele pode mostrar
A Miscarriage UK explica que ultrassons particulares podem oferecer informações e tranquilidade, mas um exame inicial normal não garante a evolução da gravidez. A organização também alerta que exames muito precoces podem ser inconclusivos e que sintomas preocupantes exigem avaliação de saúde, não apenas um exame particular.
Em uma sessão de perguntas e respostas, a Miscarriage UK, com participação da parteira e sonografista Louise Waples, explica que clínicas particulares costumam oferecer ultrassom de viabilidade ou tranquilidade a partir de 6 semanas. Segundo a organização, os resultados tendem a ser mais conclusivos entre 8 e 10 semanas; exames feitos antes de 7 ou 8 semanas podem não mostrar informações suficientes e levar à repetição do procedimento. Antes de 8 ou 9 semanas, pode ser necessário realizar o exame por via transvaginal, e a entidade afirma que não há evidência médica de que essa técnica cause perda gestacional quando usada corretamente.
A Miscarriage UK ressalta que identificar a gestação e a atividade cardíaca em um exame inicial é um sinal positivo, mas não permite garantir o nascimento nem prever alterações genéticas, problemas estruturais que surjam mais tarde ou complicações do terceiro trimestre. Em caso de sangramento vaginal significativo, dor abdominal intensa ou cólicas, a orientação apresentada é procurar avaliação médica ou serviço de emergência, em vez de aguardar um ultrassom particular.
Por que importa · interpretação editorial
O conteúdo ajuda a entender o que um ultrassom no início da gravidez pode ou não indicar: um resultado positivo é tranquilizador, mas não garante a continuidade da gestação nem antecipa todas as possíveis complicações. Também diferencia situações de sintomas importantes, que exigem avaliação médica, da realização de um exame particular por tranquilidade.
Fontes: Miscarriage UK
Afastamento por luto após perda gestacional será previsto a partir de abril de 2027
O governo confirmou que empregados poderão ter até duas semanas de afastamento não remunerado após uma perda gestacional antes de 24 semanas, com previsão de início em abril de 2027. O direito também abrangerá parceiros e pais pretendentes em gestação por substituição.
O governo confirmou, com previsão de entrada em vigor em abril de 2027, um direito legal de até duas semanas de afastamento não remunerado por luto para empregados que vivenciarem perda gestacional antes de 24 semanas. Segundo a Miscarriage UK, a medida abrangerá diferentes tipos de perda, além de parceiros, outro progenitor biológico e pais pretendentes em uma gestação por substituição. O direito estará disponível desde o primeiro dia de emprego e não exigirá comprovação da perda.
O afastamento poderá ser usado de forma consecutiva ou em dias separados, dentro de 56 semanas da perda. A Miscarriage UK considera a medida um avanço, mas afirma que continuará defendendo duas semanas de licença remunerada, já que a previsão anunciada é de afastamento sem pagamento. A organização também ressalta que empregadores podem oferecer políticas mais abrangentes, incluindo licença remunerada.
Por que importa · interpretação editorial
A medida reconhece no âmbito legal a necessidade de afastamento após uma perda gestacional, mas o período previsto não terá remuneração. A possibilidade de usar os dias separadamente e a inclusão de parceiros e pais pretendentes ampliam os grupos contemplados, enquanto empregadores ainda podem oferecer políticas mais abrangentes.
Fontes: Miscarriage UK
Estudo encontra andrógenos persistentemente elevados em gestações com PMOS
Estudo de coorte prospectiva com 151 gestações de alto risco para diabetes gestacional encontrou índice de andrógenos livres persistentemente mais alto em participantes com PMOS. Não foram observadas diferenças nas complicações maternas e neonatais entre os grupos.
Um estudo de coorte prospectiva aninhada, com subanálise longitudinal e dados de dois ensaios clínicos internacionais, avaliou 151 gestações de alto risco para diabetes mellitus gestacional entre 2018 e 2021. Entre elas, 65 tinham síndrome ovariana metabólica polendócrina (PMOS, anteriormente chamada de síndrome dos ovários policísticos) e 86 não tinham a condição. O estudo associou a PMOS a maior índice de andrógenos livres (FAI), que permaneceu elevado durante a gestação na subanálise longitudinal, além de maior resistência à insulina e níveis mais altos de di-hidrotestosterona. O grupo com PMOS também tinha maior índice de massa corporal antes da gestação e no início do acompanhamento.
Não foram observadas diferenças nas complicações maternas ou neonatais, nem interação entre o FAI, a PMOS e os desfechos adversos. Os pesquisadores ressaltam que a amostra foi selecionada entre gestações de alto risco e que a subanálise não teve cálculo prévio de poder estatístico, o que limita a generalização e a identificação de efeitos menores. Segundo o estudo, ainda é necessário investigar se o FAI elevado contribui para desfechos adversos na gestação com PMOS.
Por que importa · interpretação editorial
O estudo sugere que níveis elevados de andrógenos livres podem persistir durante a gestação em pessoas com PMOS, mas não encontrou diferenças nas complicações maternas ou neonatais. Como a amostra reunia gestações de alto risco e a subanálise tinha limitações estatísticas, ainda não está claro o significado clínico dessa associação.
Fontes: Human Reproduction Open
PGT-A não invasivo não aumentou gravidez em ensaio clínico
Em um ensaio clínico com 1.152 pacientes de 35 a 42 anos, o PGT-A não invasivo não aumentou significativamente as taxas de gravidez ou nascimento vivo em comparação com a seleção por morfologia, mas foi associado a menos perdas gestacionais antes de 12 semanas.
Um ensaio clínico randomizado e duplo-cego, publicado na revista Nature Communications, avaliou 1.152 pacientes de 35 a 42 anos em 13 centros de fertilidade na China. Os embriões foram selecionados para transferência por PGT-A não invasivo (niPGT-A), que analisa DNA livre de células no meio de cultura, ou por critérios de morfologia, baseados na aparência do embrião. A taxa de gravidez em evolução foi de 38,7% no grupo niPGT-A e 36,8% no grupo da morfologia; a diferença não foi estatisticamente significativa. O mesmo ocorreu com as taxas de gravidez clínica e nascimento vivo, de 37% e 35,5%, respectivamente.
Segundo os pesquisadores, o niPGT-A foi associado a menos perdas gestacionais antes de 12 semanas: 18%, contra 25,2% no grupo da morfologia. Não houve diferença significativa nas perdas entre 12 e 28 semanas nem nos desfechos maternos ou neonatais. Como o estudo não incluiu um grupo submetido ao PGT-A padrão, que exige biópsia de células do blastocisto, não é possível compará-los diretamente. Os autores afirmaram que os resultados não sustentam o uso rotineiro do niPGT-A nessa população.
Por que importa · interpretação editorial
O ensaio clínico sugere que, nesse grupo de pacientes, o niPGT-A não aumentou as taxas de gravidez em evolução, gravidez clínica ou nascimento vivo em comparação com a seleção pela morfologia. A possível redução de perdas gestacionais antes de 12 semanas precisa ser interpretada junto à ausência de comparação direta com o PGT-A padrão e à conclusão dos autores de que os resultados não sustentam seu uso rotineiro.
Fontes: BioNews
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com seu médico.